ESG: A Governança como o pilar do impacto Social e Ambiental
- Luana Jacudi

- 4 de set. de 2023
- 5 min de leitura
Atualizado: 11 de fev. de 2024
O impacto gerado por sua organização depende de gestão de pessoas e compliance
O termo ESG está em alta nas organizações, do Terceiro Setor às grandes empresas. Isso porque hoje mensuramos a importância de uma organização não por seu porte, mas sim por sua real importância para a sociedade, por seu posicionamento e impacto social e ambiental.
Mas não podemos nos esquecer que, para gerar impacto, há toda uma estruturação interna a fim de que toda ação esteja em conformidade legal, com administração alinhada, gestão de riscos e as responsabilidades bem delimitadas. Ou seja, o G – a governança – é o pilar para que sua organização esteja alinhada com os propósitos Social e Ambiental.
O que é ESG
Em inglês, a sigla significa “environmental, social and governance”, traduzindo-se para o português “ambiental, social e governança”.
O termo surgiu pela primeira vez em um relatório de 2004 intitulado “Who Cares Wins” (“Ganha quem se importa”, em tradução livre), da Organização das Nações Unidas, tendo relação com o Pacto Global e as ações para cumprimento dos Dez Princípios Universais.
De acordo com o Relatório Global ESG Conformidade e Risco 2022 emitido pelo Boston Consulting Group, empresas que adotam melhores práticas ambientais, sociais e de governança têm maior lucratividade e até uma melhora em seu valor de mercado ao longo do tempo.
As tratativas para o Brasil integrar a lista de países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ratifica a importância de empresas estarem atentas aos padrões de regulamentação interna e das boas-práticas.
Em resumo, ESG é o que sua empresa está fazendo sobre sustentabilidade de recursos ambientais, sociais e econômicos:
E – Planeta
S – Pessoas
G – Propósito e Princípios
Quando voltado para os negócios, a importância está na manutenção de relacionamentos com quem tem propósitos similares. Isso significa que, se sua organização não pensa em ESG (em todas as letras), empresas maiores estarão menos propensos a firmar parceria, contratar serviços e até mesmo prestar auxílio.
Afinal, uma organização também é definida pelos seus relacionamentos.
ESG é sobre Pessoas
Quando falamos em Governança e impacto Social e Ambiental não podemos esquecer que, mais do que toda ação voltada para fora da organização, as ações internas definem se houve ou não a aderência ao ESG.
Se sua empresa está enfrentando problemas na gestão de PESSOAS, seu foco não pode ser voltado para ações externas.
Se há falta de processos, de definição de regras internas, se a preocupação não está em desenvolver e treinar as pessoas que trabalham para/com você, se sua empresa não está agindo em conformidade com as Leis, se não há preocupação com assuntos básicos como segurança, privacidade e proteção de dados, ambiente saudável para o trabalho e similares... Sinto lhe dizer: não há ação externa que sustente seu posicionamento ESG.
Antes de pensarmos em ações para impacto social e ambiental, nossa contribuição primária precisa ser nas pessoas diretamente impactadas pelo nosso negócio (colaboradores, stakeholders...), e isso não é possível sem a mínima organização da empresa.
Para fins de reflexão, vou além: trazer seus colaboradores para pensar em ações ESG pode influenciar no resultado. Afinal de contas, eles quem vão “fazer acontecer” todo o planejado. Não tem salário e ambiente de trabalho que faça um colaborador trabalhar melhor do que ele acreditar no resultado do que está fazendo. Traga-os para mais perto, capacite-os para pensarem em sustentabilidade, ouça suas ideias, façam se sentir parte do planejamento ESG.
ESG precisa ser feito para PESSOAS. E sem elas, nenhum plano sai do papel.
Governança
A estratégia para a construção e manutenção das organizações na jornada sustentável sempre deve começar com a Governança.
É por meio dela que poderemos “organizar a casa” (criação de processos, políticas e programas conformidade legal), treinar os líderes e colaboradores para que tenham um pensamento voltado para a sustentabilidade (do próprio negócio) para, então, iniciarmos o planejamento de ações ESG e seu marketing.
Isso pode demandar investimentos consideráveis, principalmente de tempo da gestão. Mas os resultados podem ser extraordinários, tanto na imagem da sua organização como na produtividade e qualidade do serviço já desempenhado no dia a dia.
Com ESG, sua empresa, as pessoas envolvidas, seus parceiros, o meio-ambiente, o governo, a sociedade... todos ganham.
Mas sem o “G”, o “E” e o “S” não se sustentam.
Há empresas que insistem em investir primeiro no marketing e ações externas e desalinhadas com o propósito da própria organização, enquanto a governança não foi estruturada. Não obtêm sucesso. O marketing efetivo é realizado primeiramente por seus parceiros e colaboradores, quem conhecem o verdadeiro posicionamento da empresa. Além disso, vemos diariamente empresas que dizem pensar em sustentabilidade envolvidas em casos de corrupção e crimes ambientais, perdendo toda credibilidade no mercado.
Liderança ESG
Uma boa governança não se mantém sem a liderança alinhada, de todos os níveis.
Os líderes da sua empresa têm o poder de alavancá-la ou destruí-la.
Por isso, pergunto a você:
Em que seus líderes têm se desenvolvido?
Se um objetivo da sua empresa é ser conhecida pelas práticas ESG – e consequentemente aumentando as chances de permanecer ao longo do tempo – é importante que seus líderes estejam desenvolvendo um olhar sustentável aplicado em seu negócio, o que demanda também um olhar HUMANO de toda a operação.
Eles também serão grandes responsáveis em manter a governança em dia. Eles entendem e acreditam na gestão e suas ações?
A importância da LGPD para o ESG
A Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD, que é aplicada a todas as empresas e organizações diversas, precisa ser uma pauta da sua empresa caso você deseje fazer do seu negócio algo sustentável.
Como já dito anteriormente, se sua empresa não está em conformidade legal, não há o que se falar em sustentabilidade...
Passar por um programa de adequação à LGPD não só faz com que sua empresa cumpra uma obrigação legal, ela auxilia na criação de processos, na governança, e no Social, já que a Privacidade e a Proteção de Dados são consideradas direitos humanos.
A adequação legal requer uma estrutura mínima, de processos, de definição de responsabilidades e a manutenção da governança de todas as normas internas.
Antes de pensar na pauta ESG, convido você a pensar na conformidade legal do seu negócio, além da gestão de Contratos, conformidade Trabalhista e uso estratégico de todas as Leis aplicáveis à sua empresa.
ESG: Por onde começar?
O primeiro passo é conhecer os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável instituídos pela ONU e analisá-los com a realidade da empresa. Eles irão nortear todas as decisões.
O que sua empresa já faz que está de acordo com esses objetivos? Quais ações a mais sua empresa poderá realizar para estar mais próxima de ser considerada sustentável?
A partir desses questionamentos, convide sua equipe para contribuir, comece com as ações internas cujo impacto é mais facilmente medido, planeje e movimente todos os envolvidos para fazer acontecer. Ter indicadores-chave de desempenho (KPI) pode te ajudar a medir o avanço da execução do que foi planejado.
E, claro, comece pelo G.




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